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PEAK SEASON com Paulo Maximiano Junqueira: suporte jurídico no agronegócio

Meu convidado de hoje é Paulo Maximiano Junqueira Neto, 61 anos, natural de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Filho de Manoel Maximiano Junqueira, advogado e agropecuarista, e de Maria Lilia Silva da Cruz Junqueira, professora. Cresceu em família numerosa, com irmãos que seguiram carreiras no direito, engenharia e agronomia.

Paulo é advogado formado pela UNAERP desde 1987. Ao longo de sua carreira, participou de cursos e seminários jurídicos e técnicos ligados ao direito e ao agronegócio. Também é casado com Taicia Fofanoff Junqueira, e juntos formam sua família com os filhos Manoela, André e Júlia.

Paulo é advogado, produtor e empresário rural (com ênfase em cana-de-açúcar) e empresário da construção civil. Presidente do Sindicato Rural de Ribeirão Preto (SRRP), a Associação Rural de Ribeirão Preto (ARRP) e a ASSOVALE – Associação Rural Vale do Rio Pardo.

AG – Durante a sua adolescência, em algum momento você imaginou estar na posição que se encontra hoje?

PJ – Sim. Cresci dentro de um ambiente de trabalho e serviço — no escritório do meu pai e no campo — e desde cedo internalizei dois pilares: responsabilidade e protagonismo. Eu não sabia os detalhes do caminho, mas a vocação para liderar e construir estava lá desde muito jovem.

AG – Ainda na sua infância, você era influenciado por quais artistas que hoje perderam a referência com a revolução digital e advento da internet?

PJ – Fui mais influenciado por exemplos familiares e pelo universo rural do que por artistas. A revolução digital mudou a forma de comunicar, mas meus referenciais sempre foram trabalho, ética e compromisso — valores que não “saem de moda”.

AG – Após anos de aprendizado, tornar-se um profissional reconhecido na sua área lhe traz facilidades laborais para opinar em outras áreas/empresas do segmento?

PJ – Traz responsabilidade, antes de qualquer coisa. O reconhecimento me obriga a estudar mais e a dialogar com técnicos, produtores e formuladores de políticas, conectando o jurídico, o produtivo e a gestão de risco. Isso abre portas para conselhos práticos e para construir pontes entre áreas.

AG – Entre os seus hábitos produtivos durante a semana, existem preceitos adaptados por você que foram inseridos na sua rotina e que hoje você os aconselha para seus demais colaboradores e colegas mais jovens de trabalho?

PJ – Elencaria três, são eles: disciplina diária (agenda clara, prioridade definida), presença em campo e nas entidades — nada substitui a escuta ativa do produtor — e por último, o registro e acompanhamento de indicadores (custos, produtividade, riscos). Essa combinação dá previsibilidade e reduz “achismos”.

AG –  Qual o seu panorama sobre a situação econômica do Brasil nos últimos 20, 10 e 5 anos?

PJ – Em 20 anos, o país passou por ciclos de expansão e crises; o agronegócio sustentou boa parte do saldo comercial e puxou cadeias regionais. Em 10 anos, enfrentamos recessão, pandemia e ajustes; mesmo assim, o campo preservou competitividade. Em 5 anos, a resiliência do agro ficou ainda mais evidente, mas os gargalos de logística, segurança jurídica e custo de capital seguem como travas ao crescimento mais amplo.

AG – Das mais diversas dificuldades e oportunidades que você encontrou no decorrer da sua carreira, fazer parte do agronegócio, o setor mais lucrativo no Brasil, lhe ajuda a entender a situação social do país? Quais são seus planos para colaborar com a inclusão dos jovens e mais mulheres no setor?

PJ – Ajuda, porque o agro é uma “antena” do Brasil real: emprego no interior, renda local e impacto em serviços. Para inclusão, priorizo três frentes: formação técnica e estágios nas propriedades e entidades, empreendedorismo feminino e sucessão planejada nas famílias rurais e programas de primeiro emprego focados em tecnologia agrícola e segurança no trabalho.

AG – A sua participação diária e ativa com as estatísticas econômicas do Agro lhe entregam uma variedade de oportunidades de crescimento. Na sua opinião, como o Agronegócio permanecerá em alta nos próximos anos – de acordo com o seu ramo de atuação?

PJ – Em cana, com três vetores: produtividade agronômica (variedades, manejo e mecanização eficiente), bioenergia e bioprodutos (etanol, bioeletricidade, biometano) e contratos e governança (gestão de risco de preço e clima). Quem executar bem esses pilares, permanece competitivo.

AG – De acordo com a sua experiência, em níveis globais, o Agro enfrenta desafios para comunicar com o mundo a sua importância no impacto de toda a cadeia produtiva?

PJ – Sim. A distância entre campo e cidade gera ruídos. Precisamos comunicar ciência, rastreabilidade e conformidade ambiental em linguagem simples, mostrando como o produtor cumpre regras e entrega segurança alimentar com sustentabilidade — dados, não slogans.

AG – Como convencer a sociedade de que o Agro não é o principal responsável pelo aquecimento global? Qual a notícia ou manchete que deve ser desmentida por ter prejudicado falsamente o setor?

PJ – Precisamos separar casos de ilegalidade — que devem ser coibidos — da realidade da imensa maioria que trabalha dentro da lei. Boas práticas, integração lavoura-pecuária-floresta e manutenção de áreas de preservação permanente fazem parte do dia a dia. A “manchete” a desmentir é a generalização que criminaliza todo produtor: ela desinforma, dificulta o diálogo e não ajuda o meio ambiente.

AG – A popularidade dos produtores rurais está em risco e quais seriam os motivos para a demonização da composição ruralista?

PJ – Há risco quando o debate vira caricatura. O produtor é afetado por crédito caro, clima, pragas, frete e câmbio — temas técnicos. Quando reduzimos isso a rótulos ideológicos, apagamos o que realmente melhora a vida das pessoas: produtividade com responsabilidade.

AG – Quais os maiores nomes do Agronegócio brasileiro que influenciaram a sua vida e quais os principais no mundo que lhe fizeram mudar a visão e dinâmica para desbravar o percurso?

PJ – Minha maior referência sempre foi a família e os produtores da região de Ribeirão Preto, que constroem resultados silenciosamente há décadas. Globalmente, admiro quem integra inovação, eficiência e respeito ambiental no cotidiano, transformando propriedades em centros de excelência.

AG – O fio condutor do sucesso do agronegócio é a economia; Você acha possível que o Brasil diminua o poder de compra e passe por uma recessão econômica? Como o Brasil poderá se blindar de uma crise alimentar?

PJ – É possível, e por isso precisamos de previsibilidade. Blindagem vem de: estabilidade regulatória, logística que reduza custo-Brasil, crédito rural e seguro agrícola com desenho técnico, e segurança jurídica sobre terra, contratos e licenciamento.

AG –  Se você pudesse criar algumas regras sociais que favoreçam a dinâmica produtiva do Agronegócio e do povo brasileiro, quais seriam as suas propostas de lei?

PJ – Três prioridades: marco de seguro rural, licenciamento ambiental ágil, digital e técnico, e pacote de infraestrutura (ferrovias/portos/armazenagem) com calendários vinculantes e metas por corredor logístico.

AG– Das mais variadas atitudes que aceleram o crescimento do Brasil, qual a maior contribuição que essa geração poderá entregar que irá impactar os próximos 30 anos?

PJ: Transformar boa prática em padrão: gestão por dados, bioeconomia de baixo carbono e educação técnica no interior. Isso fixa gente no território com renda e dignidade.

AG – Se você pudesse escolher uma cidade brasileira para viver até o último dia de sua vida, qual seria e por quê?

PJ – Ribeirão Preto. É onde estão minhas raízes, minha família, minha história no Direito e no campo — e onde sigo contribuindo por meio das entidades que presido: o Sindicato Rural de Ribeirão Preto, a Associação Rural de Ribeirão Preto e a ASSOVALE, que são referência em proatividade, moralidade e compromisso com o produtor rural. Esses valores me acompanham desde o início da minha carreira que se traduzem nas entidades que represento.

ARYANE GARCIA
Jornalista
@aryanegarcia


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