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Religiões e culturas têm formas distintas de celebrar as festas de fim de ano

À meia-noite do dia 1º de janeiro costumamos celebrar o início de um novo ano. Então comemormos com fogos, festas e muitos desejos de boa sorte e realizações.

São diversos os costumes que realizamos para celebrar essa data, tem quem goste de se vestir todo de branco como um movimento pela paz e boas energias, ou com cores de ano novo específicas para atrair dinheiro, sorte, amor, saúde.

Mas você sabia que para alguns povos e tradições de ano novo pelo mundo, a celebração acontece em épocas diferentes?

Tudo tem a ver com o calendário utilizado. O calendário gregoriano é o mais seguido no mundo, inclusive por nós. Por isso estranhamos quando essa data não tem o mesmo significado para outras culturas.

Calendário Gregoriano

O calendário gregoriano foi criado na Europa, em 1582, por iniciativa do papa Gregório XIII.

Devido à exportação dos costumes europeus para o resto do planeta, o calendário gregoriano foi adotado para demarcar o ano civil em todo o mundo, por praticidade e convenção.

Contudo alguns povos e países preferiram manter seus costumes alinhados a seus próprios calendários, valorizando a cultura ancestral.

No islamismo, a passagem de ano corresponde ao mês de maio do calendário que conhecemos; para os judeus, fica por volta do mês de setembro e os chineses celebram essa data entre janeiro e fevereiro. O primeiro povo a celebrar a festa de passagem de ano teria sido o da Mesopotâmia. Eles comemoravam o fim do inverno e início da primavera, do dia 22 para 23 de março, quando se iniciava uma nova safra de plantação, já que dependiam da agricultura para sua subsistência.

Com a adoção do calendário gregoriano, em 1582, o primeiro dia do ano pas-sou a ser 1º de janeiro.

Catolicismo

Na passagem do dia 31 de dezembro para 1º de janeiro, a Igreja Católica come-mora a Solenidade da Santa Mãe de Deus. As pessoas costumam se reunir para festejar juntos a entrada de um novo ano com um olhar de esperança e expectativa para o novo ciclo de graça e benção. Missas no último dia do ano e no primeiro dia também são realizadas, algumas contecem bem perto da virada.

Islamismo

Ao contrário das religiões cristãs, o islamismo dá maior relevância aos ensinamentos de Mohamad, profeta posterior a Jesus (que teria vivido entre os anos 570 e 632 d.C.), pois este teria vindo ao mundo completar a mensagem de Jesus e dos demais profetas.

Para os muçulmanos, existem apenas duas festas religiosas: o Eid El Fitr, que é a comemoração após o término do mês de jejum (Ramadan) e o Eid Al Adha, onde comemoram a obediência do Profeta Abraão a Deus.

O calendário islâmico tem 354 dias, ou seja, 11 dias a menos que o gregoriano. Por este motivo, a data do Ano Novo Islâmico varia de ano para ano. As celebrações começam ao pôr do sol do dia anterior à chegada do primeiro mês do ano islâmico, chamado de Muharram, e duram cerca de 10 dias.

Contudo, diferente da tradição ocidental, a celebração do Ano Novo Islâmico é mais introspectiva, com atos de compaixão, jejum e oração.

Judaísmo

Os judeus não comemoram o Natal e o Ano Novo na mesma época que a maioria dos povos, mas para eles, o mês de dezembro também é de festa.

No final de dezembro os judeus comemoram o Hanukah, que do hebraico significa festa das luzes. Esta data marca a vitória do povo judeus sobre os gregos conquistada, há dois mil anos, em uma batalha pela liberdade de poder seguir sua religião.

Apesar de não ser tão famosa no Brasil, a festa de Hanukah, que, tradicionalmente, dura 8 dias, em outros países é tão “pop” como o Natal. Em Nova Iorque, por exemplo, as lojas que vendem enfeites de Natal também vendem o Me-norah (candelabro de 8 velas).

O peru e bacalhau típicos do Natal católico são substituídos por panquecas de batata e bolinhos fritos em azeite e em vez de desembrulharem presentes à meia-noite, as crianças recebem dinheiro.

O judeu comemora o Rosh Hashaná. O termo significa cabeça do ano.

Os judeus seguem seu calendário próprio e a virada é celebrada no primeiro dia do mês de Tishrei, que no calendário gregoriano cai normalmente entre agosto e setembro, dependendo do ano. Normalmente no dia do Rosh Hashaná, as famílias se reúnem e se realiza um jantar com rezas, o Sêder.

As festividades judaicas mais tradicionais têm sempre comidas típicas e representam alguma coisa referente à história ou algo que se quer daquele momento em diante.

Budismo

Os budistas não comemoram o Ano Novo. Há apenas práticas especiais para pedir um novo ano melhor, mas não um ritual. As pessoas que seguem a religião podem até se confraternizar, fazer uma recitação de um sutta, oferecer incensos e flores ao altar de Buddha iluminar a casa, mas não há nenhum ritual ensinado na doutrina de Buda. Algumas práticas budistas no fim de ano incluem agradecer e pedir um novo ano melhor e realizar cerimônias de purificação.

No Japão, a virada do ano é recebida com 108 badaladas a partir dos sinos dos Templos Budistas.

Candomblé e Umbanda

Yemanjá, Yansã e Oxum são entidades comemoradas ao longo do ano nas religiões afro-brasileiras, que têm no mês de dezembro um simbolismo todo especial. Mas para os umbandistas a comemoração do natal cristão é algo mais natural, porque a maioria dos seus seguidores veio da religião cristã. A umbanda encontrou um lugar para Cristo no rol de suas divindades – ele é associado a Oxalá, considerado o maior Orixá de todos. No dia  25 de dezembro, os umbandistas agradecem à entidade que, segundo a sua crença, comanda todas as forças da natureza.

“Bater cabeça” é a forma com que se sauda os orixás, pedindo proteção.

Alguns terreiros de Candomblé também oferecem algum ritual especial à data, mas a prática não configura uma passagem obrigatória em todos os centros.

Ano Novo Puthandu

O Puthandu é a data de ano novo celebrada no Tamil Nadu (estado indiano), Sri Lanka, Malásia, Cingapura e Ilhas Maurício. Normalmente cai em meados de abril do calendário gregoriano, e é considerado o dia em que o deus Brahma iniciou a criação do universo.

A festividade é marcada por orações  e rituais religiosos. É realizado, por exemplo, um banho ritual, seguido por uma cerimônia que reúne os familiares. Vestidos com roupas novas, os fiéis agradecem a Deus pelas graças recebidas e pedem bênçãos para o novo ano. Também são feitas oferendas para as divindades, incluindo bolos de arroz, leite e açúcar.

Em algumas tradições, especialmente para a cultura Tamil, são preparadas e compartilhadas refeições que misturam seis sabores, entre doce, salgado, amargo e agridoce. Os diferentes sabores representam os momentos bons e maus que fazem parte da vida cotidiana.

Ano Novo Etíope

O Ano Novo Etíope é comemorado no dia 11 de setembro do calendário gregoriano. Chamado de Ekutatash, seu nome significa “presente de joias” e tem relação com o retorno da rainha do Sabá à Etiópia após uma visita ao rei Salomão.

A festividade coincide com o fim  do período de chuvas e início da primavera e época de colheitas. É marcada por banquetes entre amigos e fami-liares, além de ser associada à cor amarela, devido as flores que costumam   se abrir durante a época nessa região. Também são comuns as procissões coloridas de boas-vindas ao novo ano, além de tochas de fogo que são acesas na frente das casas.

Ano Novo Iorubá

O calendário iorubá baseia-se no número 4: quatro fases lunares, quatro elementos, quatro pontos cardeais e quatro estações do ano. Assim, a semana tem 4 dias, sendo cada um dedicado a um orixá. Cada mês tem sete semanas, e o ano conta com 13 meses.

Contudo, para conciliar com o calendário gregoriano, o povo iorubá também usa os sete dias por semana e quatro semanas por mês, especialmente para os negócios. O ano novo iorubá acontece no dia 3 de junho do calendário gregoriano, coincidindo com o início da colheita do inhame, mas pode variar de um local para outro.

Não são claras quais as comemorações específicas para o ano novo iorubá. Mas a data coincide com o Festival Ifá, que ocorre no início de junho. O evento dura por alguns dias e envolve diversos rituais, preparação de alimentos, oferendas e também adivinhações realizadas pelo oráculo.

Ano Novo Inca

Apesar da civilização inca ter sido ex-tinta, esse povo, com sua cultura e tradições, sobrevive na ancestralidade de muitos povos da região dos Andes, especialmente do Peru e da Bolívia. Contudo, atualmente, as celebrações do ano novo inca contêm elementos do cristianismo, especialmente por coincidir com o natal cristão.

O ano novo inca tem início no solstício de verão do hemisfério sul, e é uma festa religiosa em honra ao deus Sol.

Ano Novo Wicca

O Wicca é uma religião neopagã que resgata a espiritualidade, costumes e cultura de povos ancestrais, como os celtas e pagãos da Grã-Bretanha. O Ano Novo Wicca é conhecido como Samhain e acontece em 31 de outubro do calendário gregoriano.

Ano Novo Chinês

O Ano Novo Chinês é celebrado durante a primeira Lua Nova após o solstício de inverno no hemisfério norte. Por isso, ocorre nos meses de janeiro ou fevereiro

A festa de virada de ano dura cerca de uma semana, e além das comidas tradicionais, parentes e amigos costumam se presentear com envelopes vermelhos contendo dinheiro, como uma forma de desejar e atrair riqueza e fartura para o novo ciclo. Cada novo ano é dedicado a um dos doze animais do horóscopo chinês.

Hinduísmo

O calendário indiano é lunissolar, ou seja, baseado nos movimentos da lua e do sol. Ele é bem parecido com o calendário gregoriano.

O ano para eles se inicia em 22 de março (com base em nosso calendário) e em anos bissextos tem início em 21 de março. Os anos são contados para os indianos a partir da Era de Saka, onde  o ano 0 para eles pode ser representado pelo ano 78 para o ocidente.

Apesar de a maioria dos indianos comemorarem o ano novo “tradicional”, o fato de o povo hindu ter um calendário próprio faz com que as comemorações do novo ano ocorram, geralmente, quando  é o fim de outubro, ou início de novembro, quando se encerra o ciclo de 12 meses.

Nesse período, os indianos celebram a marca do início de uma nova fase e essa celebração chega por meio de um festival: o Diwali, também é conhecido como o Festival das Luzes.

O Diwali tem origem de uma antiga lenda hindu, que diz como Krishna derrotou o demônio Narakasura.

O Festival das Luzes recebe este nome pelo costume de acender luzes e enfeitar a cidade com elas… luminárias, velas, pisca-piscas e lâmpadas tomam conta das ruas.

É tradicional os indianos usarem trajes vermelhos de forma elegante, e ainda prepararem uma refeição saborosa e ficar com seus familiares. É comum também ter a troca de presentes nesse período, por isso shoppings e lojas ficam bem cheios.

Taoísmo

O taoísmo, religião majoritariamente vista na China, não tem qualquer celebração no Natal. No entanto, a religião tem inúmeras datas onde se comemora o nascimento de grandes mestres ou  sua ascensão. O Ano Novo Chinês, assim como no budismo, é a data mais comemorada para os taoístas.

Hare Krishna

Nessa religião, o Ano Novo é comemorado no dia marcado como aparecimento de Krishna na Terra há mais de 500 anos. Os admiradores de Krishna têm uma celebração simbólica estabelecida pelas fases da lua.

A comemoração nem sempre ocorre na mesma data, já que muda segundo o período em que ocorre a lua cheia. Essa festa da cultura Hare Krishna se chama Festival de Gaura Purnima, ou seja, Festival da Lua Dourada. O ritual de ano novo começa com o banhar da santidade, que fica em um altar do templo.

Após isso, os devotos cantam e dançam o mantra de adoração. Com a prática terminada, é servido um banquete com 108 pratos entre salgados e doces.

Ano Novo Tailandês

O Songkram, o ano novo tailandês, acontece no dia 13 de abril do calendário gregoriano. Seu nome vem do sânscrito e significa “passagem astrológica”. As festividades duram três dias, e assim como no ocidente, as pessoas compartilham a ideia de deixar para trás aquilo que não deu certo e renovar a esperança com boas energias para o novo ano.

Como tradição, libertam-se pássaros e peixes mantidos em cativeiro.

Uma curiosidade bastante divertida é o costume de “guerra de água”. Esse elemento é o símbolo da purificação. O ato de jogar água significa o desejo de prosperidade, harmonia e sorte para as pessoas.

Fontes: EBC, mulheresjornalista.com, genera.com.br & blog.casadaindia.com.br


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